graziela segredo silvestre

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

INFECÇÃO URINÁRIA - PIELONEFRITE
Sinônimo: Infecção do rim, infecção urinária alta
O que é?
A pielonefrite é a infecção urinária que atingiu o rim. As bactérias ou microorganismos que entraram pela uretra passaram pela bexiga e se instalaram no rim. Nas mulheres, na maioria dos casos, isso ocorre pela contaminação e colonização perivaginal pela flora bacteriana fecal. O representante mais importante da flora bacteriana fecal é a Escherichia coli, responsável por 85-90% das infecções urinárias.
O que se sente ?
Quando as bactérias atingem o rim, elas provocam no local um processo inflamatório e infeccioso. Como conseqüência imediata, o rim aumenta de tamanho, a região lombar se torna muito sensível a qualquer toque ou batida e a dor lombar ou no flanco torna-se constante.
A pielonefrite sempre é acompanhada de febre (> 37,5º C) e calafrios. A urina sai em pequenas quantidades, muitas vezes ao dia, sempre ardendo muito. Pode ocorrer gotejamento de sangue no final da micção. O paciente observa que a sua urina tornou-se mal cheirosa, turva e apresenta grumos (filamentos) no seu interior. Pode haver queixas digestivas, como náuseas, vômitos e anorexia. Desânimo, canseira e prostração podem ser importantes. No exame físico, o médico encontra febre, dor lombar a punho-percussão e, muitas vezes, dor à palpação abdominal.
Como se faz o diagnóstico ?
O paciente que apresenta os sinais e sintomas, acima descritos, tem infecção urinária no rim. Para comprovar o diagnóstico, solicita-se um exame de urina e uma urocultura. O exame de urina apresenta sempre muitos leucócitos, eritrócitos e bactérias no sedimento urinário. Na urocultura, crescem germes em quantidades superiores a 100.000 por mililitro de urina. No hemograma, pode ter aumento dos leucócitos (leucocitose), e na hemossedimentação, o índice é muito elevado, mostrando a intensidade e gravidade da infecção urinária.
Em alguns casos, o paciente apresenta muita febre e intensos calafrios. Nesta situação, devemos afastar a possibilidade de invasão das bactérias na circulação sangüínea e, para encontrá-las, torna-se necessária uma coleta de sangue para realizar uma hemocultura. Com a hemocultura, além de identificarmos a bactéria que invadiu o sangue, podemos testar a sensibilidade aos antibióticos (antibiograma), permitindo, assim, um tratamento adequado da infecção sangüínea.
A ecografia ou o Rx simples de abdômen mostram o aumento do rim infectado e presença de possíveis lesões . Em certos casos, poderá ser necessária a urografia excretória e/ou cintilografia renal para verificar a existência e evolução das lesões renais.
Como se trata?
O tratamento é feito com o antibiótico sensível de acordo com o antibiograma realizado com as bactérias encontradas na urocultura. Em todos os casos de pielonefrite, além de tratar a infecção, deve-se pesquisar e tratar fatores complicadores que podem perpetuar ou impedir a melhora da infecção renal. Os fatores complicadores mais importantes são: cálculos, obstruções, estenoses congênitas ou adquiridas, refluxo vésico-ureteral, malformações congênitas, sondagens e cateteres.
Em alguns casos, o paciente com pielonefrite aguda requer tratamento hospitalar. Isto ocorre quando há infecção severa (septicemia), ou nos pacientes incapacitados ou incapazes de autocuidados ou que necessitem de administração de antibióticos endovenosos.
Como se previne?
No caso de pielonefrite aguda, é difícil para médico saber se o paciente é portador de uma infecção complicada ou não. Se for homem, é imperioso procurar as causas que possibilitaram a infecção, pois, sempre tem algum fator que contribuiu para o surgimento da pielonefrite.
No homem, as causas da pielonefrite, quase sempre, são obstrutivas. Na mulher, devem ser afastadas causas ginecológicas e, nos jovens, as doenças sexualmente transmissíveis.
Glossário
Leucócito: glóbulo branco do sangue, participa dos processos de defesa do organismo.
Leucocitose: aumento do número de leucócitos no sangue.
Hemossedimentação: sedimentação de glóbulos vermelhos, realizada em tubos especiais durante uma hora. INFECÇÃO URINÁRIA
A infecção do trato urinário (IU) constitui uma das principais causas de consulta na prática médica, só perdendo para as infecções respiratórias.
É importante, assim, definir e caracterizar a infecção urinária, bem como explicar os termos mais usados pelos médicos, o que é abordado neste primeiro artigo.
No segundo artigo trataremos das cistites (infecção urinária baixa) e, no terceiro, das pielonefrites (infecção urinária alta).
No quarto artigo, trataremos das infecções urinárias nas crianças e, no quinto, das infecções urinárias nas gestantes.
Assim, para que se tenha uma idéia abrangente da IU, é aconselhável ler os artigos em seqüência pois eles abordam as infecções urinárias de diferentes ângulos.
O que é ?
A IU é a presença de microorganismos em alguma parte do trato urinário. Quando surge no rim, chama-se pielonefrite; na bexiga, cistite; na próstata , prostatite e na uretra, uretrite.
A grande maioria das IU é causada por bactérias, mas também podem ser provocadas por vírus, fungos e outros microorganismos. A maioria das infecções urinárias ocorre pela invasão de alguma bactéria da flora bacteriana intestinal no trato urinário. A bactéria Escherichia coli, representa 80-95% dos invasores infectantes do trato urinário.
Às vezes, o paciente apresenta sintomas semelhantes aos da IU, como dor, ardência, urgência para urinar e aumento da freqüência, mas os exames culturais não mostram bactérias na urina.
Estes casos podem ser confundidos com IU e são chamados de síndrome uretral aguda, que pode ter outras causas não infecciosas, mas de origem inflamatória, como químicas, tóxicas, hormonais e irradiação.
Como ocorre?
O acesso dos microorganismos ao trato urinário se dá por via ascendente, ou seja, pela uretra, podendo se instalar na própria uretra e próstata, avançando para a bexiga e, com mais dificuldade, para o rim.
Dificilmente, as bactérias podem penetrar no trato urinário pela via sangüínea. Isto ocorre apenas quando existe infecção generalizada (septicemia) ou em indivíduos sem defesas imunitárias como aidéticos e transplantados. A intensidade da IU depende das defesas do paciente, da virulência do microorganismo e da capacidade de aderir à parede do trato urinário.
Como a urina é estéril, existem fatores que facilitam a contaminação do trato urinário, tais como:
obstrução urinária: próstata aumentada, estenose de uretra, defeitos congênitos e outros
corpos estranhos: sondas, cálculos (pedras nos rins), introdução de objetos na uretra (crianças)
doenças neurológicas: traumatismo de coluna, bexiga neurogênica do diabetes
fístulas genito-urinárias e do trato digestivo, colostomizados e constipados
doenças sexualmente transmissíveis e infecções ginecológicas.
As orientações profiláticas e terapêuticas desses fatores facilitadores poderão ser vistas nos artigos sobre cistite, pielonefrite e infecção urinária na criança e grávida.
O que se sente ?
O ato de urinar é voluntário e indolor. A presença de:
dor
ardência
dificuldade e/ou urgência para urinar
micções urinárias muito freqüentes e de pequeno volume
com urina de mau cheiro, de cor opaca
com filamentos de muco
formam um conjunto de dados que permite ao médico suspeitar que o paciente está com infecção urinária. Muitas vezes, somam-se a esses sintomas e sinais dores na bexiga e no final da micção, gotejamentos de pequenas quantidades de sangue.
Quando o rim é atingido, o paciente apresenta, além dos sintomas anteriores, calafrios, febre e dor lombar, podendo, algumas vezes, ocorrer cólicas abdominais, náuseas e vômitos.
Como se faz o diagnóstico?
A presença dos sinais e sintomas de IU obriga o médico a solicitar um exame comum de urina e uma urocultura. Para isso, é muito importante que a coleta de uma amostra de urina seja feita sem contaminação. A contaminação, geralmente, é de microorganismos da uretra, da região perianal e algumas vezes da tosse ou das mãos que manuseiam os frascos esterilizados.
Há quatro métodos de coleta: jato urinário médio, coletor urinário, sondagem e punção da bexiga. Cada um desses métodos tem suas indicações, conveniências e complicações. O médico deve decidir qual é o melhor para o seu paciente.
A maioria das coletas é feita pelo jato médio da primeira urina da manhã, após uma higienização bem feita da região peri-uretral. O jato médio é o jato urinário colhido após ter sido desprezada a primeira porção da urina, que poderia estar contaminada por microorganismos da uretra.
O exame comum de urina, no caso de IU, apresenta bactérias e grande quantidade de leucócitos (glóbulos brancos), predominando sobre os eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sedimento urinário.
O exame cultural da urina na IU mostra um crescimento de bactérias superior a 100.000 germes por mililitro de urina. Esta quantidade de bactérias permite o diagnóstico de IU em mais de 95% dos casos, desde que não tenha havido contaminação. Algumas vezes, em certas situações, um número menor de bactérias, também, pode significar IU.
É bom sempre lembrar que a urina é estéril e não deve ter bactérias.
Continue lendo sobre IU nos artigos sobre cistite e pielonefrite.
Glossário
Fístulas: é uma abertura que comunica duas cavidades, como pode ocorrer com a bexiga e a vagina (fístula vésico-vaginal).
Colostomizado: é o paciente que precisa defecar em bolsas especiais, porque tem ânus contra a natureza.



INFECÇÃO URINÁRIA EM CRIANÇAS
Um sério problema que os pediatras enfrentam no seu dia a dia é a infecção urinária (IU), pois ela é a mais freqüente infecção em crianças após a respiratória. Nas crianças com febre, sem causa aparente, a infecção urinária pode ser encontrada num percentual de 7 a 8%. Já nas emergências pediátricas febris e com sintomas digestivos, o índice de infecção pode chegar a 18%.
Nos primeiros 6 meses de vida, a IU ocorre mais nos meninos devido ao maior número de malformações congênitas do trato urinário. Depois do primeiro ano de vida, o predomínio da IU ocorre nas meninas. A incidência de IU nas meninas é da ordem de 3 a 5% e de 1 a 2% nos meninos.
O que é ?
A IU é definida pela presença de microorganismos na urina em qualquer parte do aparelho urinário. A identificação do microorganismo causador da IU é fundamental para o diagnóstico e o tratamento adequado.
Tanto nos meninos como nas meninas, o agente mais comum é a Escherichia coli, bactéria da flora intestinal, responsável por 80% a 95% dos casos de IU. Segue-se, em ordem de freqüência, estafilococo, proteus e klebisiela. Mas o trato urinário, também, pode ser atacado por vírus (adenovírus), fungos, bacilo da tuberculose.
A principal via de contaminação do trato urinário é a ascendente. A partir da flora bacteriana da região perianal, é que se dá a contaminação urinária. Somente em infecções generalizadas (septicemia) pode ocorrer que a via sangüínea seja a fonte de infecção urinária, mas isto é excepcional.
O que se sente?
Na maioria das vezes, a IU em crianças apresenta sintomas urinários iguais aos dos adultos: ardência, urgência e freqüência urinária aumentada. Mas, em muitos casos, podem surgir sintomas diferentes e a criança apresentar-se irrequieta, irritadiça, sem fome e emagrecer. Fica com medo de urinar. Algumas vezes, ocorrem sintomas digestivos com dor abdominal, náuseas, vômitos, diarréia, febre e até icterícia (amareläo). Raramente, a IU em crianças é sem sintomas, mas quando isto acontece o diagnóstico fica mais difícil de ser feito.
Como se faz o diagnóstico?
Quando as queixas urinárias são sugestivas, a confirmação do diagnóstico de IU se faz pela presença de leucócitos, sangue e bactérias no exame de urina e bactérias na urocultura. Para encontrar as bactérias na urina é necessário coletar uma urina representativa. Porém, a coleta em crianças menores de 5 anos é difícil de ser feita. Cuidados extremos devem ser adotadas para evitar a contaminação que pode prejudicar o diagnóstico de infecção urinária.
Há quatro métodos de coleta da urina que podem ser usados com crianças: jato médio, saco coletor, sondagem (cateter) e punção suprapúbica.
O jato médio e o saco coletor são de mais fácil contaminação. A sondagem é um método invasivo que pode levar bactérias para o interior da bexiga, restando a punção suprapúbica como o padrão ouro para a coleta de urina na urocultura em crianças menores.
Após os 5-6 anos, a criança já é mais cooperativa e o jato médio passa a ser mais utilizado, deixando-se a punção para os casos de dúvida. Colher uma urina confiável é fundamental, porque a presença ou ausência de bactérias faz o diagnóstico.
Em crianças, a ecografia do aparelho urinário é obrigatória após o primeiro episódio de infecção urinária. Com esse exame, procura-se afastar os fatores predisponentes congênitos e adquiridos e, principalmente, os obstrutivos. É importante que se determine se há malformações e alterações da estrutura funcional do aparelho urinário. Para isso, deve-se realizar os estudos necessários, sejam eles radiológicos, ecográficos e/ou cintilográficos.
Em 30-45% das crianças com pielonefrite, foi encontrado refluxo vésico ureteral devido a algum defeito congênito ou adquirido, que resulta em uma válvula uretero-vesical, incapaz de impedir o refluxo da urina da bexiga para o rim.
Como se trata?
A IU nas crianças deve ser tratada precoce e intensamente visando à erradicação do processo infeccioso. Quanto mais precoce, menos cicatrizes e defeitos estruturais vão ocorrer.
Além do tratamento por antibióticos, a ingestão de líquidos deve ser abundante, cuidando que as micções sejam sempre as mais completas possíveis. Geralmente, o tratamento é feito em casa, mas crianças debilitadas e com outros problemas médicos devem ser hospitalizadas para tratamento. Na infecção repetitiva e/ou com malformação estrutural, principalmente as crianças com refluxo vésico ureteral, pode ser necessário tratamentos com medicação antiinfecciosa por longos períodos.
Em relação aos meninos, a literatura médica mostra que os não circuncidados apresentam maior probabilidade de infecção urinária, (10 a 20 vezes mais). Isso não é uma indicação generalizada, mas deve ser discutida com o seu médico pediatra, principalmente se o menino já teve alguma IU e não apresenta outras alterações anatômicas.
Evolução
As infecções urinárias não complicadas têm uma evolução boa. As dificuldades de tratamento e evolução ocorrem mais nas infecções urinárias complicadas por fatores obstrutivos, doenças neurológicas (bexiga neurogênica) e no refluxo vésico ureteral.
Numa revisão de crianças que tiveram infecção urinária, 27 anos após a IU, 23% delas eram hipertensas, 10% tinham insuficiência renal crônica, 7% eram transplantadas e 3% estavam em diálise. Portanto, 43% das crianças evoluíram com uma ou mais alterações renais importantes.
Devido aos problemas futuros, deve-se fazer o diagnóstico precoce e tratamento adequado em todos os casos de infecção urinária em crianças
Glossário
septicemia: infecção generalizada, provocada por microorganismos.
icterícia: coloração amarela do corpo devido à presença anormal de bilirrubinas.
vesical: referente à bexiga.
suprapúbica: região acima do púbis.
cintilografia: exame de imagem que permite ver um tecido ou órgão, na presença de uma substância radioativa.
Perguntas que você pode fazer ao seu médico
Como devo observar a criança, para perceber que ela tem IU?
Como evitar as complicações futuras?
Devemos procurar sempre malformações?

INFECÇÃO URINÁRIA E GRAVIDEZ
Na gestação, a infecção urinária (IU) se reveste de grande importância e interesse em razão de sua elevada incidência nesse período especial da vida da mulher. É a terceira intercorrência clínica mais comum na gestação, acometendo de 10 a 12% das grávidas. A maioria destas infecções ocorre no primeiro trimestre da gravidez, 9% sob a forma de infecção urinária baixa (cistite) e 2% como infecção urinária alta (pielonefrite). A infecção urinária cria várias situações doentias e contribui para a mortalidade materno infantil.
Como ocorre?
As infecções urinárias são causadas por bactérias da flora intestinal que contaminam o trato urinário. As bactérias são encontradas na urina quando se rompe o equilíbrio entre a defesa do organismo e a sua virulência. Normalmente na gravidez, a urina é mais rica em nutrientes (açúcar e aminoácidos), o que propicia um meio de cultura mais rico, facilitando o crescimento das bactérias. Também ocorre, normalmente, na gravidez, uma dilatação do trato urinário, criando condições de estase urinária (urina parada) que favorece o crescimento bacteriano e a instalação da infecção urinária. O aumento do útero, ao ocupar mais espaço, pode obstruir parcialmente o ureter e criar condições de estase urinária. A estase é um mecanismo complicador e favorecedor de IU nas grávidas.
Quais são os sintomas ?
Os sintomas surgem e se definem de acordo com o tipo de infecção que se estabeleceu no trato urinário da grávida.
Há quatro tipos de infecção, descritos a seguir:
Bacteriúria assintomática.
É definida como a presença de proliferação bacteriana na urina, em grávida que não apresenta sintomas ou queixas urinárias, provavelmente, porque não está ocorrendo lesão e agressão à mucosa do trato urinário. Na gravidez, a incidência de bacteriúria assintomática é da ordem de 4 a 7%. Nas grávidas diabéticas, a incidência é maior, em torno de 12 a 14%, e nas mulheres que já tiveram IU antes de engravidar, é de 18 a 20 %. É interessante observar que a metade (50%) das bacteriúrias assintomáticas se tornam sintomáticas até o final da gestação.
Infecção urinária baixa.
É também chamada de cistite. A contaminação e agressão bacteriana são restritas à bexiga. Caracteriza-se, principalmente por ardência ao urinar (disúria), urgência para urinar, freqüência aumentada (polaciúria), dor suprapúbica e, algumas vezes, sangue no término da micção ou no exame de urina.
Pielonefrite aguda.
É a infecção urinária que ocorre no rim, também chamada de infecção urinária alta. Caracteriza-se pela contaminação ascendente da uretra até o rim. Ocorre em aproximadamente 2% das grávidas, geralmente no último trimestre. Apresenta-se, clinicamente, com início abrupto ou súbito, comprometendo muito o estado geral da grávida com febre, calafrios, dor lombar intensa, náuseas e vômitos. A presença das toxinas liberadas pelas bactérias pode desencadear o trabalho de parto pelo aumento das contrações uterinas. Por esta razão, a pielonefrite aguda na grávida pode ser responsabilizada por abortamento, trabalho de parto prematuro, hipertensão arterial gestacional, óbito fetal e até mesmo morte materno fetal nos casos de infecção severas e generalizadas. A grande maioria das pielonefrites agudas ocorre depois das infecções bacterianas assintomáticas, daí a importância de se descobrir as IU assintomáticas, que podem redundar em pielonefrite.
Pielonefrite crônica
É a fase crônica das infecções renais anteriores que deixaram lesões ou cicatrizes nos rins. Geralmente, não apresentam sintomas, mas podem estar acompanhadas de hipertensão arterial. Com a gravidez, a hipertensão pode se tornar severa e piorar a função renal; com isto, o estado de saúde da mãe e do feto se alteram.
Como se faz o diagnóstico ?
A suspeita diagnóstica de IU se dá pelos sintomas de: micção freqüente, ardência, urgência, dor lombar, náuseas, vômitos, sangue na urina e febre.
Para toda a gestante deve-se sempre solicitar de 3 em 3 meses exames de urina e urocultura. Com estes cuidados, procuramos descobrir as infecções urinárias assintomáticas e tratá-las precocemente.
No exame comum de urina, o sedimento urinário apresenta um número aumentado de leucócitos, acompanhados de sangue e albumina na urina.
Considera-se infecção urinária quando a cultura de urina é positiva, ou seja, com mais de 100.000 bactérias por mililitros de urina. A urina para cultura deve ser colhida pelo jato médio com técnica de antissepsia adequada. As grávidas principalmente no 3º trimestre contaminam a urina muito facilmente, por esta razão é importante que a coleta seja bem feita para evitar erros na interpretação da urocultura.
O diagnóstico de lesões do rim na IU é feito pela ultra-sonografia (ecografia), que é uma investigação não invasiva e que permite a avaliação anatômica do rim, como malformações e tamanho renal, pode também, mostrar cálculos e obstruções. Poderá ocorrer que a paciente tenha sinais clínicos de IU, mas as uroculturas são negativas. Quando isto ocorrer deve-se procurar outras infecções, por outros microorganismos como Chlamydia, Herpes, Candida albicans, Tricomoníase e outros.
Como se faz o tratamento?
Constatada a IU na grávida, ela deve ser imediatamente tratada para evitar complicações, como infecção generalizada, abortamento, parto prematuro, hipertensão gestacional e piora de anemia.
O tratamento deve basear-se no antibiograma. O médico deve escolher antibióticos que não sejam prejudiciais ao feto e a medicação deve ser usada pelo menor tempo possível, mas num período suficiente para ter a segurança de um tratamento adequado e eficaz.
Como se faz a prevenção?
Nas gestantes que têm IU recorrente, pode-se usar medicações preventivas por um longo período. Recomenda-se uma ingestão abundante de líquidos e, nas micções, procurar sempre o esvaziamento completo da bexiga.



PIELONEFRITE
Sinônimo e nomes populares
Pielite, infecção do rim, infecção urinária.
O que é?
É a infecção que por penetração de germes atinge um ou dois rins. Geralmente o paciente refere dor na região lombar (abaixo da última costela nas costas), febre alta, calafrios, ardência para urinar, sensação de urina quente e urina mais escura. Náuseas e vômitos acompanham o quadro.
Como se adquire?
O germe pode atingir o rim pelo sangue ou subindo da uretra para a bexiga e pelo ureter até o rim.
Quando existe alguma malformação do aparelho urinário ou urina que volta da bexiga para o rim (refluxo vésico-uretral) ou pedra nos rins ou outro tipo de obstrução, a pielonefrite tem condições favoráveis para se instalar. Os germes mais freqüentes são os gram-negativos.
Como se faz o diagnóstico?
Pelos sintomas de dor, febre, tremor de frio, urina escura , ardência para urinar e aumento de freqüência das micções. Ao exame físico do paciente, nota-se palpação e percussão dolorosa da região lombar
O exame comum de urina mostra no sedimento muitos leucócitos e alguns eritrócitos (glóbulos brancos e vermelhos). A urocultura com teste de antibiótico nos revela o germe causador e a medicação mais adequada. Exames de imagem como ultra-som, RX, Urografia Excretória, Tomografia computadorizada podem confirmar o diagnóstico.
Como se trata?
O tratamento é feito com antibióticos baseado no teste de sensibilidade bacteriana, mostrado pela urocultura com teste. A correção cirúrgica das> malformações ou fatores predisponentes (por exemplo, um cálculo urinário) pode ser necessária para completar o tratamento..
Como se evita?
Levando uma vida saudável, ingerindo muito líquido, tratando adequadamente as intercorrências como cálculos urinários ou malformação do aparelho urinário. Em caso de dúvida procure seu médico.
Perguntas que você pode fazer ao seu médico
O que causa pielonefrite?
Pedras nos rins podem causar pielonefrite? Causar câncer?
Essa doença pode afetar o funcionamento do meu rim?
Essa doença é transmissível?

DOR LOMBAR
Sinônimos:
lombalgia, doença postural da coluna vertebral
Oitenta por cento dos seres humanos sentem dor lombar (lombalgia) em algum momento de suas vidas. Uma proporção menor tem dor cervical (pescoço) e na nuca, sendo que outros sentem dorsalgia. A maioria destas pessoas pode manter suas atividades habituais, mas as cumprirão com períodos de desconforto ou dor. Cerca de 30% desse grupo faltará ao trabalho devido à lombalgia.
Quais as causas de lombalgia?
Na grande maioria das vezes, a dor se relaciona com problemas mecânicos da coluna vertebral, isto é, com defeitos na sua função. O tratamento principal é normalizar a função, isso podendo ser obtido com exercícios e outros cuidados posturais.
Outras causas são também freqüentes:
osteoartrite (artrose) das articulações intervertebrais e
desestruturação do disco intervertebral (discopatia degenerativa.)
Menos encontradas:
espondilolistese,
sacralização da apófise transversa da 5a vértebra lombar uni ou bilateral,
síndrome do músculo piriforme e
doenças das articulações sacro-ilíacas.
Este capítulo é dedicado à postura, porque prevenção ou correção de má postura previnem, melhoram ou corrigem a maioria dos problemas que levam a lombalgia.
O que é postura?
Postura é a posição do corpo.
Boa postura pode ser definida como o arranjo harmônico das partes constituintes do corpo, tanto em posição estática (parado) como em diferentes situações dinâmicas (movimento e força).
Quando se fala em coluna, postura é a coluna vertebral ereta estática (parado na posição de pé).
A posição ereta é obtida através dos tecidos moles da coluna vertebral: músculos, ligamentos e cápsulas articulares.
Boa postura é o resultado da capacidade que ligamentos, cápsulas e tônus muscular têm de suportar o corpo ereto, permitindo sua permanência em uma mesma posição por períodos prolongados sem desconforto. Uma postura aceitável também deve ser esteticamente apreciável.
Portanto, quando alguém cansa em uma fila de cinema, sente desconforto ou dor, se fica muito tempo assistindo TV, ou precisa sair cedo da cama no domingo porque dóem as costas, há sintomas de doença postural da coluna vertebral.
Desse modo, o exame postural é a avaliação da posição da coluna vertebral, das relações das suas curvaturas entre si e dos elementos envolvidos na sua harmonia ou desequilíbrio.
O exame postural é parte da avaliação física do aparelho locomotor e deve ser complementado pelo estudo cinético (movimentos) da coluna vertebral para adequada interpretação funcional das queixas ou achados eventualmente encontrados.
O que é a coluna vertebral? Como ela funciona?
A coluna vertebral é um conjunto de vértebras e discos sobrepostos.
Duas vértebras separadas por um disco intervertebral formam uma unidade.
O segmento anterior da unidade funcional está preparado para suportar peso, absorver choque e ter flexibilidade. No segmento posterior localizam-se as estruturas nervosas (medula e raízes nervosas) e um par de articulações que orientam os movimentos de cada unidade. Completam os constituintes da coluna ligamentos que têm função de sustentação e músculos.
A coluna vertebral estática
Vista de lado, a coluna vertebral tem quatro curvas fisiológicas: as lordoses cervical e lombar e as cifoses dorsal e sacra. Ela é sustentada pelo sacro, que se situa entre os ilíacos. A última vértebra lombar e a primeira vértebra sacra assumem um ângulo fisiológico que orienta a posição da coluna vertebral . O ângulo lombo-sacro é determinado pelo desenho de uma linha paralela à superfície superior do sacro dirigida a uma linha horizontal e mede ao redor de 30 graus. Ele depende da posição da pelve a qual, por sua vez, é equilibrada centralmente em um eixo transverso que se situa entre as articulações coxo-femurais (coxas com a bacia). Qualquer movimento rotatório da bacia modifica o ângulo lombo-sacro. A inclinação anterior (elevação da região anterior da bacia) o diminui e o movimento inverso, inclinação posterior, posiciona o sacro em direção horizontal, aumentando o ângulo lombo-sacro e a lordose lombar.
A posição da bacia se mantém por meio de controle ligamentar das articulações coxo-femurais. Em bipedestação, a extensão das articulações coxo-femurais é limitada à posição neutra pelos ligamentos ileopectíneos, que são espessamentos dos tecidos capsulares anteriores das articulações coxo-femurais. A pelve também é sustentada pelo tensor da fascia lata, que reforça a posição dos quadris e evita hiperextensão dos joelhos; essa fascia tem sua inserção proximal na crista ilíaca e distal no trato ileotibial na face lateral do joelho. A sustentação dos membros inferiores se faz, nos joelhos, por meio da cápsula articular posterior e ligamentos, não havendo necessidade de contração dos quadríceps. Há pequena contratura da musculatura da panturrilha dispendendo mínima energia. Pode-se observar, então, que a manutenção da postura ereta é essencialmente relacionada aos ligamentos com mínimo gasto de energia.
Vista de frente, a coluna vertebral normal não deve ter desvios laterais ou esses devem ser mínimos. Isso requer um sacro adequadamente alinhado, isso é, horizontalizado. O que determina a horizontalização do sacro é a igualdade de comprimentos dos membros inferiores. Assimetria de desenvolvimento da pelve também é causa de desvio do sacro, apesar de rara.
Em ambas situações, haverá diminuição da altura da bacia no lado afetado e o sacro ficará inclinado e, conseqüentemente, haverá uma atitude escoliótica (não é escoliose verdadeira) secundária com assimetria e sobrecarga nas articulações entre as vértebras. Se a escoliose não for corrigida, desenvolvem-se alterações estruturais nas facetas articulares e nos discos intervertebrais devido a sobrecarga assimétrica.
O desequilíbrio funcional da coluna vertebral
O equilíbrio da coluna vertebral deve ser mantido contra a gravidade, usando-se um mínimo de energia e provocando o menor desgaste possível. A fim de minimizar o consumo de energia, os músculos não participam de modo importante dessa função, cabendo aos ligamentos e cápsulas a principal ação de sustentação. Quando a tensão sobre os ligamentos excede limites fisiológicos ocorre contratura muscular isométrica reflexa (os músculos ficam contraídos sem movimentar-se) protegendo-os de mais alongamento.
A contratura muscular sustentada leva a fadiga e conseqüente incapacidade de proteção ao alongamento excessivo. Numa primeira fase de sobrecarga postural, os pacientes referem desconforto e fadiga, sendo a dor de partes moles um evento posterior.
São numerosos os fatores envolvidos no que se pode denominar doença postural da coluna vertebral.
Entretanto, quatro são predominantes na sua influência e freqüência:
Hiperlordose lombar (lordose é a posição côncava; hiperlordose é excesso de concavidade).
Postura esteticamente normal, mas musculatura despreparada e/ou insuficiente flexibilidade dos tecidos moles
Anomalias estruturais congênitas ou adquiridas (neurológicas, musculares, esqueléticas, ligamentares).
Posturas adquiridas por mau hábito ou treinamento inadequado durante os anos de desenvolvimento.
1. Hiperlordose lombar
A grande maioria das pessoas com dor lombar estática possuem hiperlordose.
São exemplos de posturas hiperlordóticas transitórias que podem provocar dor:
gravidez,
dormir de barriga para baixo em colchão mole,
usar calçados com saltos altos (projeta o corpo para frente e obriga a postura hiperlordótica para reequilibrá-lo)
sentar-se em cadeiras sem encosto adequado.
Nessas situações, desfazendo-se a lordose excessiva, a dor alivia ou desaparece.
Os mecanismos que levariam esses pacientes a sofrer dor poderiam ser entendidos por:
As facetas articulares se aproximam e a compressão excessiva levaria a dor;
Os orifícios intervertebrais têm seu diâmetro diminuído e as raízes nervosas sensitivas que se dirigem aos músculos, articulações e ligamentos são comprimidas;
O disco faz protrusão posterior, pressionando o ligamento longitudinal posterior e irritando terminações nervosas.
Os estímulos transmitidos pelas fibras sensitivas iniciam uma reação reflexa que leva à contratura muscular excessiva a qual tem a intenção de proteger a unidade funcional comprometida. Porém, a contração muscular sustentada torna-se um novo local de dor e, complicando mais ainda, a contração intensa também comprime os tecidos injuriados, fechando um círculo vicioso dor-contratura-dor.
Esse modelo conceitual de dor lombar relacionada com hiperlordose tem sido aceito por mais de cem anos.
Entretanto, ocasionalmente, a patogênese da lombalgia seria a permanência em flexão lombar por tempo prolongado, como ocorre com o homem moderno que gasta a maior parte do tempo sentado. Nessa posição, os tecidos posteriores são alongados em excesso e permitem que o disco intervertebral seja empurrado para trás.
O tratamento, nesses casos, é promover exercícios que fortaleçam os músculos extensores, recriando a lordose anatômica.
Cabe ao médico determinar se os sintomas do paciente se devem a hiperextensão ou hiperflexão. Provocar a dor ao reproduzir a posição anormal esclarece a fisiopatogenia de cada situação em particular.
2. Doença postural relacionada com músculos fracos e/ou rigidez músculo-ligamentar
Uma situação muito freqüente como causa de lombalgia é coluna vertebral normal mas músculos abdominais fracos. São necessários músculos abdominais potentes para sustentar a pressão exercida pela cavidade abdominal e, também, equilibrar as forças dos músculos eretores da coluna; caso contrário, haverá tendência crescente em aumentar a lordose lombar.
Outra condição freqüente e importante (e muitas vezes não identificada) de lombalgia é a falta de flexibilidade dos músculos e ligamentos posteriores da coluna lombar, das coxas e das pernas.
A coluna lombar flexiona 45 graus. Para uma flexão adequada, os músculos eretores, suas fáscias e os ligamentos longitudinais devem ser suficientemente extensíveis.
Após os 45 graus de flexão da coluna lombar, o restante do movimento do tronco se faz através da flexão da pelve. A rotação anterior da pelve é feita ao redor das articulações coxo-femurais e é limitada pelo comprimento e grau de alongamento dos músculos posteriores das coxas e pernas.
Se os tecidos não têm ou não estão com flexibilidade suficiente, a tentativa de atingir a amplitude máxima provocará dor devido ao alongamento excessivo e, eventualmente, dano estrutural.
3. Anomalias estruturais congênitas ou adquiridas
Ao se avaliar a coluna vertebral ereta, devem ser procurados defeitos nos membros inferiores ou na própria coluna. Há várias causas de assimetria de comprimento de membros inferiores. Diferença de até 1 cm é considerada normal e só deve ser valorizada se não se encontrar nenhuma outra causa para dor ou desconforto interpretada como de origem postural.
Causas de encurtamento de membro inferior
Hipoplasia congênita
Poliomielite
Pós-fratura
Genuvalgo ou varo assimétrico
Genurecurvatum assimétrico
Contratura assimétrica da panturrilha com pé eqüino
Dispraise de quadrilles
Coxartrose
4. Posturas adquiridas por mau hábito ou durante os anos de desenvolvimento
A influência dos padrões culturais, sociais, profissionais, hábitos, treinamento e psiquismo sobre a postura são importantes e muito numerosos, sendo, muitas vezes, difícil identificá-los. A associação de fatores, inclusive com os estruturais, complica mais ainda o problema.
Devem ser mencionados os gestos profissionais assumidos tanto na posição de pé como sentada, os diferentes modelos de assentos que provocam sobrecargas e alongamentos excessivos e os diferentes modos de sentar, inclusive no chão, influenciados por razões culturais incluindo as religiosas.
O psiquismo contribui de modo importante sobre a postura. A postura é a linguagem do corpo. Em parte, nós nos movemos e paramos como nos sentimos.
Os indivíduos deprimidos mantêm-se numa posição "caída", com o tronco curvado e os ombros projetados para a frente, assemelhando-se a uma pessoa muito cansada. Essa postura leva a estiramento anormal de ligamentos e dor, tornando-se muito fatigante, pois mantê-la leva à sobrecarga dos músculos extensores, adicionando um cansaço fisiológico à sensação psicológica preexistente.
Dor é uma sensação psicológica. Ela é sentida por alguém que posteriormente a descreverá, aí colocando sua reação à dor e sua interpretação do significado de seu sofrimento. Um observador experiente deve saber discernir entre o que podemos chamar de dor física e amplificação da dor que se observa em pacientes com severos distúrbios emocionais.
Também os indivíduos hipercinéticos, devido à agressividade, e os ansiosos, que se mantêm persistentemente tensos, demonstram seus sentimentos na postura.
Sua posição é de desequilíbrio, ficando o tronco anteriormente ao centro de gravidade e todos os músculos num constante estado de contração sustentada.
É comum encontrar meninas adolescentes com alta estatura que tentam diminuí-la curvando o dorso (dorso curvo da adolescente). Também podem modificar sua postura as adolescentes com seios volumosos e os de baixa estatura.
A prática de esportes durante os anos de desenvolvimento pode levar a assimetria corporal, como acontece em jogadores de basquete e tênis.
Também entre crianças e adolescentes os distúrbios psíquicos colaboram de modo importante para atitudes posturais inadequadas.
Todos os padrões de postura adquiridas no período de crescimento podem se perpetuar e tornarem-se problemas na fase adulta. Os tecidos desenvolvem-se de acordo com os estímulos ocorridos e podem terminar seu crescimento de modo defeituoso.

Um comentário:

  1. É comum sentir do na nuca e os seios ficarem inchados e muito sensiveis?
    pois eu tô com essa doença... tenho todos os sintomas, mais esses dois!

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sejam todos bem vindos....



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